Niterói, Segunda | 20-05-2012
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Centrocardio promove palestra sobre Aterosclerose
Escrito por Centrocardio
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CentroCardio
Em evento comemorativo ao seu 30º aniversário, o Centrocardio promoveu no dia 28 de maio a palestra "Aterosclerose", ministrada pelo professor Antonio Luiz Brasileiro, do Instituto Nacional de Cardiologia do Rio de Janeiro.

Realizada no auditório da Associação Médica Fluminense, o evento contou com a presença de médicos, acadêmicos, profissionais de saúde familiares e amigos do Centrocardio que compareceram para prestigiar e comemorar o aniversário.

Antonio Brasileiro agradeceu a presença de todos, e homenageou o Centrocardio por sua importância e pela competência de seus profissionais.

"30 anos não é um tempo curto. O Centrocardio é comandado por pessoas da mais alta importância da cardiologia do Rio de Janeiro. Dr. Luiz Augusto é um dos expoentes da cardiologia, não só do Rio de Janeiro, mas do país inteiro. E vir aqui, falar sobre aterosclerose diante de pessoas com a experiência e conhecimento desses assuntos, chega a ser, até, uma ousadia de minha parte”.

O palestrante iniciou sua explanação, apresentando breve histórico sobre as primeiras evidências registradas sobre trombose e infarto do miocárdio, datada de 1912. “Nessa época se sabia muito pouco sobre o tema, mas estudos já apontavam para a relação entre infarto agudo do miocárdio e aterosclerose, que é uma doença, tipicamente, do século XX”.

O especialista tem esperança que a doenças possa ser controlada até o final do século atual. “A aterosclerose ficou conhecida como flagelo do século XX. E eu diria, sem medo de errar, que ela continua sendo um flagelo, agora do século XXI. Embora muitas novidades tenham aparecido, os avanços tenham sido enormes, tanto sob o ponto de vista farmacológico, quanto tecnológico, ainda estamos muito distantes do seu controle, há um longo caminho a percorrer. Eu acredito que, com os avanços da medicina, a aterosclerose somente estará erradicada ao final do século XXI. Uma pessoa ou outra vai ter infarto ou placa de aterosclerose”, previu.

Prosseguindo em seu histórico, Antonio Brasileiro destacou estudo do russo Nikolai Anitschkow, quando, pela primeira vez, foi observada a relação do colesterol e a ocorrência de aterosclerose. Ele também apresentou estudos do médico holandês, Dr. C.D. Langen, relatando a experiência realizada em 1916, comparando o colesterol dos nativos da Indonésia, que eram vegetarianos, consideravelmente mais baixo que o dos seus colonizadores holandeses. “Ao promover uma dieta em cinco nativos, com ingesta de carne e ovos, constatou-se, após três meses, o aumento do seu colesterol”.

Antonio Brasileiro apresentou, ainda, estudo do Dr. Ancel Keys, que ficou conhecido como “Sr. Colesterol”, realizado no final dos anos 60, em sete países da Europa, pesquisando o colesterol total dos pacientes desses países e o nível de gordura saturada dentro do valor calórico total da alimentação dessas populações.

“Ele notou que mais de 20% do valor calórico total da alimentação na Finlândia, era de gordura saturada, enquanto que, no Japão, isso era, aproximadamente, 2,5%. Observou, ainda, que os colesterol total dos finlandeses era superior a 260 mg/dl, enquanto que, no Japão, era abaixo de 160 mg/dl, comprovando a clara correlação entre gordura saturada na alimentação e colesterol total no sangue. E o mais importante: constatou a mortalidade dessas pessoas por infarto ao final de 10 anos. Na Finlândia, o índice de mortalidade era de 70 para cada mil habitantes, enquanto que, no Japão, era de apenas cinco”.

O especialista apresentou outros estudos de pesquisa voltados para o combate à aterosclerose. Ele citou como exemplo os Estados Unidos, que, no período de 1980 a 2000, teve reduzida a mortalidade por doença coronariana em cerca de 49% entre os homens e 51% entre as mulheres. “As principais causas para esta redução, além da melhoria do tratamento médico, foram as modificação dos fatores de risco, como: diminuição da pressão arterial, redução do colesterol, combate ao tabagismo e ao sedentarismo da população”.
   Antonio Brasileiro apresentou, ainda, casos clínicos destacando a utilização da estatina no combate a aterosclerose. Ele também chamou a atenção em relação a situação preocupante no Brasil, em razão da falta de conscientização sobre os cuidados com a saúde. Em estudo realizado, constatou-se um crescimento no índice da mortalidade cardiovascular no país, no período de 1979-2004, em cerca de 34% em razão de infarto agudo no miocárdio.

“No último Congresso Brasileiro de Cardiologia, foi apresentada uma pesquisa realizada com a população a respeito do conhecimento sobre a importância de se tratar do colesterol, sedentarismo etc. A conclusão foi de que a população não tem a menor idéia de que esses fatores de risco devam ser controlados. Então, a primeira coisa a fazer é conscientizar a população”.

Ao final da palestra, Dr. Luiz Augusto mediou debate com a platéia, discutindo os principais pontos abordados por Antonio Brasileiro. Antes de encerrar o evento, Dr. Luiz Augusto agradeceu a presença de todos e o empenho dos profissionais que contribuíram para que a palestra pudesse se realizar.

“Gostaria de agradecer a todos os presentes, aos funcionários que participaram da organização e especialmente, a toda a equipe do Laboratório AstraZeneca, pelo empenho e dedicação para que pudéssemos estar aqui, hoje, realizando essa palestra.

Em seguida, todos os presentes participaram de coquetel e jantar, oferecido pelo Laboratório AstraZeneca.

ATEROSCLEROSE - O QUE É?

A aterosclerose é uma doença crônico-degenerativa que leva à obstrução das artérias (vasos que levam o sangue para os tecidos) pelo acúmulo de gorduras (principalmente colesterol) em suas paredes. Ela pode causar danos a órgãos importantes ou até mesmo levar à morte. Tem início nos primeiros anos de vida, mas sua manifestação clínica geralmente ocorre no adulto.

A aterosclerose é causada pelo acúmulo de lípides (gorduras) nas artérias, que podem ser fabricados pelo próprio organismo ou adquiridos através dos alimentos. Ela começa quando monócitos (um tipo de leucócito mononuclear) migram da corrente sangüínea e depositam-se nas paredes arteriais e passam a acumular gorduras, principalmente colesterol, formando as placas ateroscleróticas ou ateromas.

As artérias afetadas pela aterosclerose perdem elasticidade e, à medida que essas placas de gordura crescem, as artérias estreitam-se.

Eventualmente essas placas podem se romper, havendo o contato das substâncias do interior da placa com o sangue, o que produz a imediata coagulação do sangue e, como conseqüência, a obstrução total e súbita da artéria. Quando ocorres nas coronárias (artérias do coração), leva ao infarto agudo do miocárdio.

FONTE: (Dr. Marcelo Chiara Bertolami) www.emedix.com.br

Última atualização em Qua, 08 de Setembro de 2010 17:25