Aqueles que acompanham nossos Editoriais já devem ter percebido que a grande preocupação do Centrocardio, através de sua diretoria e de seus sócios, ao longo de seus 25 anos de existência, é a de oferecer um atendimento de qualidade seja do ponto de vista técnico-científico ou do humano, aliados a um ambiente propício, que seja agradável tanto aos clientes como aos profissionais que nele atuam. Para a consecução desse objetivo, não temos medido esforços pessoais ou financeiros. Entretanto, se o esforço pessoal depende, pura e exclusivamente, de nossa vontade e da nossa disponibilidade, o mesmo não ocorre em relação aos recursos financeiros.
“Dinheiro não cai do céu”, diz bem o ditado. Ele é fruto do trabalho e, infelizmente, o ato médico em geral vem sendo muito mal remunerado pelos vários tipos de planos de saúde que representam mais de 90% de nossos faturamentos. Há planos que não reajustam suas tabelas há mais de 10 anos e os que praticam algum tipo de correção o fazem sempre abaixo da inflação do período. Disso resulta uma relação cíclica perversa entre Plano-Cliente-Prestador de atendimento médico-Plano. O Plano oferece ao Cliente uma medicina de primeiro mundo e remunera a quem deve implementá-la (Prestador), com valores de décimo mundo. Em geral, os Planos de Saúde alegam não poderem melhor remunerar aos Prestadores de Serviços Médicos por serem baixas as mensalidades pagas pelos Clientes, sendo estas controladas por Agências Reguladoras. Por outro lado, os Clientes exigem, e com razão, que os Prestadores de Atendimentos Médicos ofereçam-lhes serviços de alto padrão técnico e científico, pois foi o que contrataram com os seus respectivos Planos de Saúde. Esta situação tem se tornado aflitiva para médicos em seus consultórios, para clínicas, hospitais, laboratórios de exames médicos etc. pois os custos em atualizações, em aquisições de equipamentos de tecnologia avançada, manutenção, pessoal e, principalmente, encargos sociais e tributários, entre outros, dificultam ou mesmo inviabilizam o alcance das metas de alto padrão técnico, científico e humano por todos desejadas.
Nesta crítica situação, há que prevalecer o bom senso. Necessário se faz que todos os interessados, e também as Agências Reguladoras, se disponham a discutirem, despojada e patrioticamente, o assunto, em busca de uma solução que seja benéfica para todos. Caso contrário será a derrocada da medicina em nosso país com prejuízo geral. E não é necessário ser vidente ou futurólogo para antever esse desastre.
Acautelemo-nos todos ... |