a


REFLEXÃO
Dr. Luiz Augusto de Freitas Pinheiro
Mais um dezembro se aproxima ... E com ele, mais um Natal e mais uma passagem de ano. Mês de boas intenções, de bons votos. Feliz Natal! Próspero Ano Novo! Será o dezembro de 2001 igual a tantos outros, vividos por nós e por gerações e gerações passadas? Minha esperança quer gritar que sim, porém minha razão, soturna, realista e até cruel, teima em mostrar que não. Realmente, os últimos acontecimentos nos Estados Unidos da América do Norte, no Afeganistão e, por que não dizer, em todo o mundo, não nos permitem sermos otimistas. O mundo não é mais o mesmo. O mundo mudou. E mudou porque os homens continuaram os mesmos. Os homens não mudaram ... “O homem é o lobo do homem”. Mata-se por ódio ou em nome do amor, por desespero ou invocando a esperança, por miséria ou na opulência, por falta de um Deus ou invocando o Seu Nome. Mata-se por ação, porém muito mais se mata por omissão. A indiferença, o personalismo, a ambição desmedida, embaçam ou distorcem a visão social e coletiva, conspurcam as mentes. Um pobre na calçada, passamos ao largo; um pequeno roubo num apartamento, colocamos grades; mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, são peixes, não são gente; chacina no morro tal, são favelados; conflitos na Palestina, judeus e árabes que se entendam; bombas na Espanha e na Irlanda, estão muito longe; vinte e seis anos de guerra fratricida em Angola, eles já se acostumaram; fome no nordeste e na África, enviamos algum alimento no Natal ...
De indiferença em indiferença, de justificativas em justificativas, contornamos problemas, tangenciamos discussões, protelamos soluções e, cada vez mais, aproximamo-nos de situações críticas que ameaçam toda a humanidade.
É possível ser feliz sozinho em meio a tanta infelicidade? É possível ter esperança quando a evolução dos acontecimentos sinaliza em direção ao pior? Como inverter essa situação?
Estamos numa encruzilhada onde tomar um caminho errado e sem retorno não é difícil. Em situações extremas, espera-se dos envolvidos um mínimo de bom senso, de racionalidade. Espera-se que reconheçam não serem os donos da vida no planeta e que levem suas desavenças para serem resolvidas numa mesa de negociações. Esperar, esperança, racionalidade, razão. Abstrato e concreto. Confusão. Mas o que fazer se está tudo confuso mesmo?
“A esperança é a última que morre”. Se é assim, um dia morre.
“O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Então a razão tem um componente emocional, não lógico. Portanto, podemos ter um raciocínio esperançoso ou uma racional esperança.
Dezembro de 2001 não será igual a outros anteriores. Mas, creio, o homem mudará, a humanidade sobreviverá, outros dezembros virão. Mais alegres, mais felizes, com uma Pátria para os sem Pátria, moradia para os sem teto, terra para os sem terra, amor, liberdade, igualdade e fraternidade.