| Após um mês de expectativas, tensões, momentos de desespero e explosões de alegria, o Brasil sagrou-se, novamente, campeão mundial de futebol. Após insidiosa doença, intercalando desenganos e esperanças, morreu o médium Chico Xavier. Milhões de brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, foram às ruas comemorar a conquista e saudar a nossa delegação no seu retorno. Milhares de patrícios dirigiram-se a Uberaba para os funerais de Chico. Num curto espaço de tempo, o país experimentou instantes de grande alegria e sentimentos de profunda tristeza, sorrisos misturados ao pranto, euforia incontida e patética decepção. Situações antagônicas, antitéticas ... Contrastes ... C´est la vie. Nossa seleção de futebol deixou o país desacreditada. Poucos admitiam algum sucesso. Ser campeã, nem pensar. Com outras seleções já ocorreu o mesmo. E também foram campeãs. Parece que regula, dá sorte. Após amistosos pouco convincentes, na Europa e na Ásia, a seleção brasileira iniciou sua trajetória vitoriosa na Coréia. A equipe cresceu dentro da competição, venceu todos os seus adversários, convenceu ou calou os mais céticos críticos, chegando à final contra a poderosa Alemanha. Venceu-a incontestavelmente, com todos os méritos. Fomos campeões sem reparos, sem qualquer dúvida. Chico Xavier teve vida longa. Teve percalços, contestações, sofreu críticas negativas. A tudo soube entender, soube superar e há vários anos pairou acima de qualquer questionamento. A razão, ao meu entendimento, foi simples. Independente de qualquer crença, de qualquer credo religioso, de qualquer corrente de pensamento, ou da negação de tudo isso, a figura frágil, tosca e titubeante de Chico Xavier foi, por longos e longos anos, a personificação do BEM. Num mundo tão, e cada vez mais, violento, personalista, cruel, indiferente, nosso médium destacou-se, com sua alma franciscana, por levar esperança aos desencantados, amor aos revoltados, um pouco de alegria aos entristecidos, fé aos descrentes. Mais que psicografar obras de escritores famosos, ele psicografou a mente humana, analisou-a psicologicamente, interferiu sutilmente em suas reações, direcionou positivamente os sentimentos. Viveu com bondade, para fazer o bem, e morreu como viveu, serenamente. Um reparo, morreu em matéria, pois seu espírito de luz continua entre nós. Chico Xavier "encantou-se". Dessa forma, se bem analisados, os dois acontecimentos recentes não são conflitantes, como à primeira vista aparentam. Enche-nos de alegria termos a Taça do Mundo temporariamente entre nós, da mesma forma que Chico Xavier, paradigma da bondade, continuará perenemente conosco. Parafraseando Gonçalves Dias em sua poesia, direi – "Nosso céu tem mais (duas novas) estrelas ..." A estrela da constelação do pentacampeonato mundial de futebol e a estrela fulgurante, de primeira grandeza, de Chico Xavier. E que ambas encham de luz os caminhos do Brasil. Caminhos da PAZ e do BEM. |
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Nosso céu tem mais (novas) estrelas
Escrito por Dr. Luiz Augusto de F. Pinheiro
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